quarta-feira, 7 de julho de 2010

de mãos dadas,


Cena 1:
Pego o prato servido, e o preço anotado diretamente da balança. Meia volta, e vê. Dois casais, horário de almoço, mesa para quatro pessoas. É como se a solidão aumentasse em zoom preciso, umas dez vezes, e eu então além de poder senti-lá, posso vê-la. E então, olhares. A menina que está de frente pra mim, sentada ao lado de seu possível namorado, affair, amigo colorido, me encara com vontade. Com força. Veemência. Furiosa. Como um cachorro que não larga o osso por nada, só falta rosnar. Passo com classe e elegância, e sorrio com ironia. Levanto, pego uma sobremesa, e o par de olhos verdes, continua a me encarar. Nem bonito era o rapaz. Mas bateu nela, e eu vi o que transpareceu no ar: insegurança, a própria.

Cena 2:
Casal anda feliz pelo Centro da cidade. Caminha de mãos dadas, sorrisos e conversa leve. Sem pressa, e nem pique. Enrolando-se na cordialidade e paixão um do outro. A menina atrasada, caminhando com a velocidade de um furacão, quase correndo. Vestida às pressas, cara limpa, polainas nos tornozelos. Vem ao encontro, de frente e olha o relógio: dá pra caminhar com calma, o tempo joga a seu favor. A mulher apaixonada nota sua presença fugidia - e por que não, charmosa. Aperta forte a mão do companheiro. Muda o tom da voz, a face parece congelar. A garota afobada também a vê. E passando pelos dois que antes pareciam felizes, e agora discutem um problema que não existe, a menina que apenas está atrasada pra sua única aula matinal percebe mais uma vez, a doença de tantos relacionamentos: insegurança.

Não deveria existir, pra quem segura mãos. Tão pouco, raspa pratos com cumplicidade, e escolhe com charme a sobremesa. Não acredito em relacionamentos que não transbordam cumplicidade, confiança e mais, segurança. Como vencer as tantas barreiras e pilares, obstáculos e provações, sem se ter certeza de que, ao nosso lado, está alguém que não vai nos soltar ao menor sinal de perigo? Diz a letra do Gessinger, e a gente canta em sincronicidade: "Você precisa de alguém, que te dê segurança; se não você dança. Se não você dança". E baila mesmo.
Segurança, não é ouvir cinco vezes por dia "eu te amo". Muito menos, dizer. É sentir que a pessoa que caminha do seu lado, te busca na sua porta, e te liga por pura vontade, quer estar ali por uma escolha dela - e não, por uma imposição sua. É dar liberdade, sem esperar que a pessoa também te dê. A velha estória de que, a liberdade em si, é o que prende o mais livre dos seres. Ter certeza, ninguém tem. Mas a gente sabe; a gente sente. Sinceramente, não sei o que leva pessoas a ficarem tão inseguras. Garota, ele segura a sua mão, porque ele quer. Tenho certeza de que, ele não está com você apenas pela beleza, e não vai ser a harmonia de formas que ele avista na rua, que vai comprometer o relacionamento de vocês. Geralmente, quando a cárie dos apaixonados resolve bater à porta, o problema está mais afundo, mais complexo. E o relacionamento, já vem se definhando. Os últimos a perceber, são quem nele está submerso. O que acaba um casal feliz não é uma mulher em si, e sim, a vontade de trair, de colocar um ponto final. As questões do sub-consciente que ninguém gosta de visitar, disfarçadas. Você está aí acompanhada, enquanto aquela mulher, por mais formosa que seja, está ali sozinha. Pode até ter alguém no pensamento, no coração. Porém no momento, não passa de uma cidadã solitária. Quem deveria estar nervosa, remexida por dentro: você, ou ela? Se algo não vai bem na relação, não adianta apertar mais forte a mão do outro, ou fazer um show de demonstrações de afeto. Prender ainda mais, faz soltar-se sozinho. Ele quer cuidar, amar e ser feliz. E acredito que, numa prisão, é o último lugar da face da Terra que ele desejaria estar. Então, pare de encanar com o que não vai acontecer nem em pesadelo, e fique contente - trate bem quem gosta de você, e se uniu à pessoa maravilhosa que com certeza você é, e esqueça-a. Não custa lembrar, mas: ela é apenas bonita, e não o fim do amor eterno em que você vive. Geralmente, ela nem a ver com tudo isso tem. E isso tudo é o que na minha indignação e frustração, frente ao namoro dos outros, eu gostaria de ter dito. Pela intimidação das mulheres inseguras, eu deveria ter falado. Porque o outro lado solitário, sofre - mesmo calado, e nessa época do ano.
Fique alegre se você tem alguém do seu lado, e mais alegre ainda se você não tem: a sorte sorri para alguns, e promete acontecer para todos. Estar atento, e curtir o momento, é a chave pra qualquer relacionamento de sucesso, começando pelo mais ilustre de todos eles: o amor-próprio. Além de tudo, exercitar tal arte, é delicioso. Have fun!

Camila Paier.

retirado do blog da valdeline barros.

domingo, 4 de julho de 2010

No entanto,


a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida. E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

sábado, 3 de julho de 2010

Não vá. Pelo amor.


Mesmo quando não quero você perto de mim. Mesmo quando já não aguento as tuas palavras e teus gestos que cortam, não consigo deixar-te ir embora. Não se vá.

terça-feira, 29 de junho de 2010

eu aposto.



A gente não tem como saber se vai dar certo. Talvez, lá adiante, haja uma mesa num restaurante, onde você mexerá o suco com o canudo, enquanto eu quebro uns palitos sobre o prato - pequenas atividades às quais nos dedicaremos com inútil afinco, adiando o momento de dizer o que deve ser dito. Talvez, lá adiante: mas entre o silêncio que pode estar nos esperando então e o presente - você acabou de sair da minha casa, seu cheiro ainda surge vez ou outra pelo quarto, quem sabe não seremos felizes? Entre a concretude do beijo de cinco minutos atrás e a premonição do canudo girando no copo pode caber uma vida inteira. Ou duas. Passos improvisados de tango e risadas, no corredor do meu apartamento. Uma festa cheia de amigos queridos, celebrando alguma coisa que não saberemos direito o que é, mas que deve ser celebrada. Abraços, borrachudos, a primeira visão de seu necessaire (para que tanto creme, meu Deus?!), respirações ofegantes, camarões, cafunés, banhos de mar - você me agarrando com as pernas e tapando o nariz, enquanto subimos e descemos com as ondas, mãos dadas no cinema, uma poltrona verde e gorda comprada num antiquário, um tatu bola na grama de um sítio, algumas cidades domesticadas sob nossos pés, postais pregados com tachinhas no mural da cozinha e garrafas vazias num canto da área de serviço. Então, numa manhã, enquanto leio o jornal, te verei escovando os dentes e andando pela casa, dessa maneira aplicada e displicente que você tem de escovar os dentes e andar ao mesmo tempo e saberei, com a grandiosa certeza que surge das pequenas descobertas, que sou feliz. Talvez, céus nublados e pancadas esparsas nos esperem mais adiante. Silêncios onde deveria haver palavras, palavras onde poderia haver carinho, batidas de frente, gritos até. Depois faremos as pazes. Ou não? Tudo que sabemos agora é que eu te quero, você me quer e temos todo o tempo e o espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos. Se tivermos cuidado e sorte - sobretudo, talvez, sorte - quem sabe, dê certo? Não é fácil. Tampouco impossível. E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo - o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.

Antônio Prata.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

ei!




Eu preciso saber que o tumtumtum do seu coração ainda é pra mim - e por mim. Preciso ver o brilho do seus olhos quando encontram os meus. Preciso ver a sua pele arrepiar quando eu disser que te amo. Preciso saber que nada nesse mundo vai nos separar. Preciso ver que eu ainda te faço sorrir. A gente anda tão distante! A gente anda tão por-um-fio... Alguém, pelo amor de Deus, traz uma corda pra eu puxar você de volta e amarrar outro nó? Preciso te sentir em mim - comigo. Preciso saber que todos os nosso planos não serão em vão. Preciso saber que o seu coração ainda aperta um pouco quando estamos longe. E que aquelas adoráveis e perturbadoras borboletas continuam se esbarrando no seu estômago quando eu abro a porta. Eu preciso de fogo - pra não deixar o meu - seu - coração esfriar. Preciso de um desfribilador - pro coração não parar de fazer tumtumtum.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Vários pensamentos soltos.


Não tenho medo da morte. Não da minha. Claro que eu não espero ansiosamente o meu último suspiro. Muito pelo contrário: queria viver pra sempre. Porque a vida - mesmo com todos os desencontros e barrancos e tropeços e quedas - ainda é bonita, é bonita e é bonita. E mais: queria que tods as pessoas que me são caras vivessem para sempre. Estremeço ao pensar na morte ds meus. Deve ser medo de ficar sozinha. O fato é que andei pensando que seria melhor morrer primeiro. Papo brabo, esse de morte, né? Mas é sério, talvez eu seja muito individualista, mesmo. Neuroticamente egoista. Ou muito muito medrosa. Tenho medo de não ter ninguém pra me distrair de mim. Tenho medo de me perder em mim, nos meus pensamentos loucos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Vem, meu amor,


que a vida é muita curta pra ser levada tão a sério. Não temos tempo tempo pra tanta bobagem. Vem cá, me abraça forte, sinto saudades. Eu te amo tanto... Aproveita o tempo que nos foi dado: agora. Preciso ouvir sua voz: fala comigo. Ri junto comigo. Eu adoro a tua risada engraçada. Chega mais perto, eu preciso sentir teu cheiro - e lembrar o quanto é lindo quando ele se junta ao meu. Não perde o tempo:usa-o. O próximo instante já pode ser tarde.